A intervenção em dobre de chamada

O significado clássico da marcação de dobre é que pensamos derrotar o contrato do declarante.

Dito isto, no bridge moderno verificou-se que em certas situações é extremamente raro conseguir derrotar os adversários. Por exemplo quando estão ainda ao nível de 1, ou quando um deles apoiou o naipe do outro a um nível baixo.

Por esse motivo o significado do dobre foi modificado e passou a ser uma “chamada” ao parceiro para os naipes ainda não marcados.

O exemplo típico acontece depois de uma abertura do adversário ao nível de 1. A marcação de dobre torna-se uma voz muito específica, que designamos como dobre de chamada.

Mostra uma mão com força de abertura, pelo menos 12 pontos, sem um naipe comprido para anunciar e com pelo menos 3 cartas em cada um dos naipes ainda não marcados.

Desta forma a voz indica ao parceiro que temos força suficiente para procurar um contrato mas não sabemos que naipe escolher entre os restantes.

Atenção que o parceiro não deverá passar ao dobre, mas sim anunciar o seu naipe mais longo.

Quantos mais pontos tivermos mais podemos desviar-nos da distribuição ideal para um dobre de chamada. Considera-se normalmente que a partir de 18 pontos podemos dobrar com qualquer distribuição.
Exemplo : Sobre uma abertura em
, intervimos em X com este jogo :
PT-encheres1-chapitre9
PT-main1-chapitre9
Quando o parceiro anunciar o seu naipe mais comprido temos um fit em trunfo. Anunciarmos nós mesmos um naipe “ao calhas” é muito mais perigoso.
As respostas ao dobre de chamada
O parceiro de quem dobra deve ao mesmo tempo tentar encontrar o melhor naipe para trunfo (o seu naipe mais comprido) e indicar a força da sua mão escolhendo o nível adequado para a marcação.
Por exemplo, depois da seguinte sequência, responderá com pelo menos 4 cartas em Espadas :
com menos de 8 pontos,
com 8-10 pontos,
com 11-12 pontos,
com 13 pontos ou mais.
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PT-main2-chapitre9
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Como o parceiro promete em princípio um mínimo de 3 cartas de Espadas, devemos contar os pontos de distribuição quando temos 5 cartas no naipe. Podemos por isso marcar
ou
, às vezes com mãos mais fracas em pontos de honras mas com, por exemplo, 5 cartas de Espadas e um singleton, ou 6 cartas de Espadas.
Sem naipe para anunciar podemos eventualmente marcar ST :
com 7-10 pontos
com 11 pontos
com pelo menos 12 pontos
Jogar à cabeça ou fazer a passagem
Analise este exemplo e descubra os limites da passagem :
PT-table1-chapitre9
Devemos fazer a passagem à Dama que falta ?

Evidentemente que não, porquê ?

Porque temos dez cartas no naipe. Se o naipe estiver dividido 2-1 no flanco, não precisamos da passagem porque a Dama cai debaixo do Ás ou do Rei. Se o naipe estiver dividido 3-0, a Dama está à terceira em Oeste (Este balda na primeira vaza, o que nos permite fazer a passagem "marcada" na vaza seguinte), ou está à terceira em Este e quando Oeste baldar já sabemos que não podemos capturar a Dama.

Quando nos falta uma honra no naipe e decidimos não fazer a passagem e em vez disso jogar as nossas honras mais altas, esta técnica designa-se por "jogar à cabeça". É evidente que quanto mais cartas temos num naipe mais vezes a técnica de jogar à cabeça irá funcionar.

Existe uma regra para determinar se devemos jogar à cabeça ou fazer a passagem : a regra de "7-9-11".
Quer dizer que :

- Se é o Valete que falta, a partir de sete cartas não devemos fazer a passagem.

- Se é a Dama que falta, não devemos fazer a passagem a partir de nove cartas no total das duas mãos.

- Se é o Rei que falta, não devemos fazer a passagem a partir de 11 cartas no naipe, no total das duas mãos.
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No exemplo 1, temos nove cartas em Espadas, e portanto faltam-nos quatro. A regra indica que a partir de nove cartas não devemos fazer a passagem à Dama. Começamos por jogar o Ás. Se todos assistirem, é estatisticamente mais provável capturar a Dama jogando o Rei na segunda vaza do que jogando uma carta pequena para o Valete. Temos portanto que jogar à cabeça.

No exemplo 2, temos onze cartas no naipe e os adversários só têm duas. Devemos jogar para o naipe dividido 1-1 e encaixar o Ás. (Se só tivéssemos 10 cartas no naipe, faríamos a passagem ao Rei.)