A saída é efetuada pelo jogador colocado imediatamente à esquerda do declarante. É uma fase muito importante porque o resultado do contrato depende frequentemente da escolha desta primeira carta. A carta de saída deve, por isso mesmo, ser objeto de uma reflexão profunda. A dificuldade é tanto maior porque o morto ainda não expôs as suas cartas: o saidor tem apenas como informação a sua própria mão e o leilão, enquanto as outras três mãos permanecem ocultas.
A saída varia consoante o tipo de contrato: em trunfo ou Sem Trunfo (ST). Num contrato em trunfo, a defesa pode esperar fazer cortes e explorar a dinâmica do jogo em trunfo. Em Sem Trunfo, pelo contrário, o objetivo é apurar rapidamente vazas de comprimento.
Existem dois tipos principais de saídas contra um contrato em trunfo:
As saídas passivas, escolhidas quando ainda não se conhece o plano de jogo do declarante (mão balançada, poucas informações).
As saídas ativas ou agressivas, preferidas quando o leilão permite visualizar o plano de jogo do declarante e é necessário interromper a sua execução. Por exemplo, sair debaixo de uma honra alta (A, R ou D), ou sair a um Ás para ver o morto depois de uma barragem do adversário.
Os objetivos da carta de saída
Cortar
Fazer o parceiro cortar
Fazer vazas rápidas com as suas honras
Não dar vazas
Ordem de preferência
Sair de Ás-Rei
Singleton útil
Naipe do parceiro
Cabeça de sequência (DV10 - RD5)
Saída neutra (doubleton, trunfo, naipe longo)
Saídas a evitar
Um naipe marcado pelos adversários
Um singleton em trunfo
Um Ás isolado (sem o Rei)
Uma saída debaixo de uma honra isolada
Sair com que carta?
Sai-se sempre na cabeça de sequência: Ás com ARxx, Rei com RDx, Dama com DVx, Valete com RV10(x) ou V10x.
Sem uma sequência, aplica-se a regra par-ímpar:
Número ímpar → a carta mais baixa.
Doubleton → a carta mais alta.
Quatro cartas → a terceira carta mais alta, consoante as cartas intermédias.
Mão de treino contra 4
Este problema é-lhe proposto por Finn Kolesnik, vencedor da Bermuda Bowl na equipa Open USA1.
Saída neutra ou agressiva?
Os adversários estão no contrato de 4, e devemos esperar um morto com um naipe longo em Ouros. A minha sugestão é excluir a saída do Rei de Ouros em cabeça de sequência, pois na maior parte das vezes só vai ajudar o declarante a apurar o seu naipe.
A saída em trunfo também deve ser evitada, com um Valete à quarta que tem todas as hipóteses de fazer, sobretudo porque está acompanhado do 9.
Restam Espadas e Paus. Sair numa Dama segunda é muito agressivo e só o recomendo quando o naipe tiver sido marcado pelo seu parceiro. Além disso, mesmo que o parceiro tenha o complemento em Espadas, uma vaza de corte com um trunfo que irá fazer naturalmente não acrescenta qualquer valor.
Na minha opinião a saída neutra é a melhor nesta mão: 10 de Paus. Com apenas oito pontos de honras mas duas vazas possíveis, não é preciso um milagre para derrotar o contrato: não ajude o declarante em caso algum !
Aprofunde com...
Eis uma aula em vídeo de Dominique Fonteneau, aliás o "Professor", centrada na saída contra um contrato em trunfo.
Em Sem Trunfo, o objetivo principal da defesa é apurar um naipe comprido antes do declarante. Chama-se a isto a corrida ao apuramento de vazas.
As saídas clássicas
Num naipe nomeado pelo parceiro → estritamente par-ímpar (exceto se se tratar simplesmente de uma abertura em 1, onde o meu conselho é sair na 4ª carta mais alta).
4ª carta mais alta num naipe comprido.
Cabeça de sequência → a saída não é necessariamente na mais alta das cartas equivalentes: o Rei é uma carta especial na saída em Sem Trunfo que pede ao parceiro para desbloquear uma honra no naipe. Pode, portanto, sair ao Ás ou à Dama com o Rei, consoante o seu plano de jogo em defesa.
Sequência quebrada (a mais alta das duas honras consecutivas) → ARV, RD10, D109...
Top of nothing → a carta mais alta com três cartas pequenas, a segunda mais alta com quatro ou mais cartas.
Honra à terceira → num naipe de três cartas encabeçado por uma honra, alguns saem à carta do meio, outros à mais pequena. Algo a combinar com o parceiro!
1 - Contra o contrato em 3ST, que é o contrato mais frequente
Prioridade a um naipe 5º para apurar vazas de comprimento.
Na falta deste, um naipe 4º, mas evite as saídas debaixo de Axxx, ADxx ou AVxx.
Entre dois naipes com o mesmo comprimento → prioridade ao mais rico. Caso contrário, entre dois naipes quintos, opta-se pelo melhor. Entre dois naipes quartos, normalmente escolhe-se ao contrário.
Nunca um singleton ou doubleton mesmo que se trate do naipe não marcado (naipe que os adversários não marcaram no leilão).
Mão de treino contra 3ST
Este problema é-lhe proposto por Jérôme Rombaut, campeão da Europa e vice-campeão do Mundo Open.
Sentado em Sul, qual seria a sua saída?
Ás de Espadas para ver o morto, Valete de Paus, 6 de Copas, 5 de Paus...
Descubra os meus comentários assim como a minha avaliação para todas estas saídas possíveis neste artigo de Setembro de 2023.
2 - Contra o contrato em 1ST, onde os dois campos têm aproximadamente a mesma força
Não dê a 7ª vaza ao declarante.
Prefira as sequências sólidas e as saídas neutras.
Prefira sempre um naipe 5º.
Utilize as entradas na sua mão no decurso do jogo para tentar apurar um naipe 4º, mesmo que não tenha saído nesse naipe.
6ST após um leilão quantitativo (1ST – 6ST): privilegie a neutralidade → cabeça de sequência (RDV, DV10, V109) ou naipe longo sem nenhuma honra.
6ST baseado em vazas de comprimento: corra riscos e saia debaixo de uma honra, num naipe que exija apenas um pouco de cooperação por parte do parceiro.
4 - Casos particulares
3ST após uma barragem do adversário: saia a um Ás para ver o morto e adaptar a defesa (o parceiro sinalizará a continuação preferida).
2ST: contrato delicado. O objetivo é não oferecer uma vaza gratuita. A saída deve ser neutra.
Mão de treino contra 3ST Gambling
Este problema é-lhe proposto por Margaux Kurek-Beaulieu, campeã da Europa em Equipas Girls e vice-campeã da Europa em Equipas Women, 2024.
Saída neutra ou agressiva?
A abertura em 3ST Gambling mostra um naipe pobre de sete cartas “sólido”, ou seja, já apurado. Sabemos, por isso, que Este tem sete vazas ao seu dispôr. Contra esta sequência de leilão, em que se conhece uma importante fonte de vazas, não se deve, de modo algum, fazer uma saída neutra: talvez tenhamos cinco vazas a ganhar, e é demasiado fácil oferecer duas quando não se sabe o que vai aparecer no morto! Por isso, é demasiado arriscado sair a Ouros ou a Espadas. O melhor é sair com o Ás de Copas e depois decidir se mudamos ou não para outro naipe.
Será muito fácil encontrar a melhor continuação, porque a voz de 3ST só pode conter uma Dama além do naipe de sete cartas encabeçado por Ás-Rei-Dama! Se vir a Dama de Copas no morto, jogue o Valete. Se for o Rei de Espadas, ainda vai a tempo de jogar a Dama. Será difícil que uma continuação a Ouros derrote o contrato, pois seria necessário um enorme complemento no naipe, da parte no seu parceiro.
Aprofunde com...
Eis uma aula em vídeo de Dominique Fonteneau, aliás o "Professor", centrada na saída contra um contrato em trunfo.
A saída é uma área muito delicada no bridge pois exige ao mesmo tempo lógica e intuição. Quer se trate de um contrato em trunfo ou Sem Trunfo, as regras diferem mas há sempre um fator comum: evitar oferecer uma vaza gratuita ao declarante, e proporcionar à defesa a melhor hipótese de apurar as suas vazas.
Perguntas e respostas
A saída é a primeira carta jogada, e é efetuada pelo jogador à esquerda do declarante. É uma decisão crucial, porque condiciona toda a defesa e pode determinar o sucesso ou fracasso do contrato.
Porque acontece antes do morto expor as suas cartas. O jogador que faz a saída só tem o seu próprio jogo e o leilão para o ajudar a decidir, enquanto que três jogos permanecem ocultos. Uma boa saída pode criar vazas para a defesa, uma má saída pode dar uma vaza gratuita ao declarante.
Porque mostrou força ou comprimento nesse naipe durante o leilão. Saindo ao naipe, a defesa tem mais hipóteses de apurar vazas rapidamente.
Em Sem Trunfo (ST), a defesa procura apurar rapidamente um naipe longo para criar vazas de comprimento.
Em trunfo, a estratégia é diferente : por vezes é preciso cortar, fazer o parceiro cortar, ou fazer rapidamente as suas honras antes que o declarante ganhe a mão.
Distinguimos as saídas passivas (neutras) das saídas ativas ou agressivas (para perturbar o plano de jogo do declarante).
Uma saída passiva consiste em não tomar nenhum risco, para evitar oferecer uma vaza gratuita. É uma boa opção quando o leilão não aponta para nenhum plano em especial por parte do declarante.
Sair num Ás para ver o morto, sair debaixo de um Rei... Estes ataques são escolhidos para perturbar o plano de jogo do declarante.
Por ordem: Ás-Rei, um singleton útil, no naipe do parceiro, em cabeça de sequência (ex. DV10, RD5), neutro (ex. um trunfo ou um naipe sem nenhum perigo em particular).
Saimos sempre na cabeça da sequência (Ás com ARx, Rei com RD…).
Neste caso, é preciso sair ao Rei e depois jogar o singleton. Este é um dos dois únicos casos em que se sai com o Rei tendo Ás-Rei (o outro sendo com Ás-Rei secos).
Um naipe anunciado pelos adversários, um trunfo singleton, um Ás isolado (sem o Rei) ou debaixo de uma honra isolada.
A saída em trunfo pode ser boa se suspeitarmos que o declarante vai tentar cortar nos naipes curtos ou se não tivermos qualquer outra saída atractiva.
Paridade no naipe do parceiro, 4.ª melhor de um naipe longo, cabeça de sequência, e nunca um singleton ou doubleton.
O ás e a dama pedem ao parceiro para chamar no naipe se estiver interessado, enquanto que o rei pede o desbloqueio de uma honra. Tudo depende daquilo que quer que o seu parceiro faça !
É uma convenção: quando saímos de um naipe com três cartas pequenas, jogamos a mais alta (por exemplo: 9 de 973). Se temos quatro ou mais cartas pequenas, saímos com a segunda mais alta.
Privilegia-se um naipe sólido de 5 cartas. Se não tivermos um naipe longo, é preferível uma saída neutra ou uma cabeça de sequência. O objetivo é não dar a 7.ª vaza ao declarante.
Contra 3ST, damos prioridade a um naipe quinto para apurar vazas de comprimento. Em alternativa, um naipe quarto, mas não debaixo de Axxx, ADxx ou AVxx. Evitamos as saídas que possam oferecer uma vaza gratuita ao declarante.
Se o contrato de 6ST foi atingido através de uma sequência quantitativa (1ST – 6ST), uma saída neutra, como por exemplo num cabeça de sequência ou num naipe longo sem honras.
Se 6ST fôr baseado em vazas de comprimento, é preciso ousar sair debaixo de uma honra, na esperança de criar uma vaza rápida.
Após uma barragem, sabemos que o declarante tem frequentemente um naipe longo apurado. A saída clássica é um Ás para ver o morto.
Sim! Num torneio de pares, uma saída que dá uma vaza gratuita pode custar muito caro no resultado relativo. Em IMPs, o objetivo é sobretudo evitar entregar um contrato, e por isso as saídas mais agressivas tendem a ser privilegiadas.